Jerusalém
30-07-2010 17:03:01
Câmara de Jerusalém ameaça cortar água à Igreja do Santo Sepulcro
Autarquia exige pagamento de 43 anos de impostos sobre o uso da água.
Desde que existe água canalizada na cidade, as diferentes autoridades sempre fizeram questão de a fornecer gratuitamente àquela que é uma das mais importantes Igrejas do mundo cristão, num gesto de respeito pelas confissões cristãs e pelos milhares de peregrinos que acorrem ao local onde Jesus foi sepultado e onde ressuscitou.
A prática não foi interrompida pelos israelitas quando ocuparam a cidade em 1967, mas numa atitude que espantou os responsáveis cristãos pelo local, a Câmara Municipal de Jerusalém ameaçou agora cortar o abastecimento caso a Igreja não pague um imposto pela água utilizada. Espantosamente, a carta exige mesmo o pagamento retroactivo, a partir de 1967.
Fonte ligada à administração da Igreja explica à agência AsiaNews que a situação é ainda mais bizarra uma vez que a carta está endereçada à Igreja do Santo Sepulcro quando, de facto, não existe nenhuma entidade com esse nome. Desde os tempos do Império Otomano a administração da Igreja tem sido dividida por seis confissões cristãs diferentes, que se regem por um documento conhecido como o Status Quo.
“A questão do pagamento retroactivo não tem fundamento, porque foi uma escolha consciente e uma política constante dos sucessivos Estados que geriram Jerusalém, tanto de facto como de jure, oferecer esta cortesia. Quanto ao futuro, ninguém nega que hoje a água possa ser vista como uma bem pelo qual se deve pagar. Contudo, para que isto se aplique a todo o Santo Sepulcro é necessário chegar a acordos específicos, primeiro entre os diversos utilizadores, tendo em conta a divisão dos custos da água consumida nos lugares comuns, depois seria preciso instalar contadores diferentes para que cada comunidade monástica pague aquilo que consome. É um processo complexo que só pode ser tratado com mútuo acordo, e não ao som de ameaças e avisos, endereçados a ninguém em particular”, explica a fonte.
Os representantes das diferentes comunidades cristãs estão esperançados de que o bom senso prevaleça e a medida seja cancelada ou pelo menos amenizada por autoridades superiores.